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Power Query: Faça o Excel trabalhar por você

Todo mês chega um relatório torto, e antes de analisar qualquer coisa você já está limpando dado, corrigindo coluna, ajustando formato e salvando versão “final_agora_vai.xlsx”.

Isso vira rotina e, de tanto repetir, parece normal. Só que não é.

Neste artigo a gente vai elevar tua consciência sobre o que o Power Query realmente é, por que ele virou um salto de produtividade dentro do Excel e como ele muda teu jeito de trabalhar: menos retrabalho, mais consistência e muito mais tempo pra análise.

O retrabalho virou tão comum que ninguém mais percebe o absurdo

No escritório existe um “trabalho invisível” que engole o dia e quase ninguém assume que faz: arrumar arquivo. É o tempo gasto removendo linha inútil, separando coluna grudada, corrigindo data, convertendo número que veio como texto, tirando espaços escondidos, apagando subtotal no meio… e repetindo isso sempre que o arquivo chega.

O problema não é só o tempo. É o efeito colateral: você gasta tua melhor energia no começo do processo, justamente onde não existe valor. Aí, quando chega a parte boa (interpretar, comparar, explicar, decidir), você já está sem combustível. Resultado: análise apressada, decisão atrasada e aquela sensação constante de “tô sempre correndo e nunca termino”.

E aqui entra a provocação: se o relatório chega todo mês do mesmo jeito (ou quase), por que o tratamento precisa ser refeito toda vez? É aí que o Power Query entra com força: ele pega a repetição e transforma em processo.

O que é Power Query, sem enrolação

Power Query é a ferramenta do Excel que pega dados do jeito que vieram e entrega do jeito que você precisa, criando um fluxo de transformação que você reaproveita sempre. Você conecta na fonte (arquivo, pasta, tabela, banco de dados), faz o tratamento uma vez e, quando chegar o próximo relatório, você só atualiza.

O ponto-chave não é “fazer mais rápido”. É parar de refazer.
Porque o teu dia não deveria depender de clicar 40 vezes pra deixar um arquivo apresentável.

Power Query é exatamente a diferença entre “editar todo mês” e “rodar um processo todo mês”.

A virada real é mental: sair do modo conserto e entrar no modo processo

Quem vive no Excel no dia a dia costuma operar no improviso: chegou base, ajeita; chegou nova versão, ajeita de novo. Só que isso é um buraco sem fundo. A cada mês você refaz etapas que já eram previsíveis. Aí teu trabalho vira manutenção de arquivo, não análise de dados.

Quando você começa a pensar em processo, a pergunta muda. Em vez de “como eu arrumo isso agora?”, vira “como eu garanto que isso nunca mais me tome tempo?”. E quando você consegue responder isso, tua rotina muda: menos ansiedade, mais previsibilidade, mais tempo pra gerar valor real.

Power Query não é “coisa de TI”. É ferramenta de escritório moderna. É o Excel assumindo o papel que ele deveria ter desde sempre: automatizar o repetitivo.

O “carinha da macro” e o jeito novo de fazer

Durante anos, a solução premium pra automação no Excel foi a macro. E macro é boa, sim. O problema é que, pra virar “o cara da macro”, precisava manjar de lógica, programação, manutenção e ainda torcer pro arquivo não mudar o layout e quebrar tudo. Era uma solução poderosa, mas muitas vezes distante do analista comum, que só queria automatizar o básico sem virar programador.

O Power Query muda o jogo porque traz um jeito novo de automatizar: no clique do mouse, com uma lógica visual, com passos claros e ajustáveis. Não é que macro morreu — longe disso. Mas, pro dia a dia do analista, Power Query costuma ser infinitamente melhor, porque resolve rápido, é mais fácil de manter e encaixa perfeito nessa rotina de “todo mês chega arquivo parecido”.

Em resumo: macro continua sendo ferramenta forte. Só que Power Query virou o caminho mais direto e prático pra automatizar o que o analista faz todo dia: importar, limpar, padronizar e consolidar dados.

Exemplos de aplicações na vida real

Custos: Kardex — Bases Desorganizadas

O Kardex chega e, antes mesmo de olhar custo médio, consumo ou movimentação, você já está tentando transformar “relatório bonito na tela” em tabela de verdade. Vem subtotal no meio, quebra estranha, campo vazio onde não devia, e aquela sensação de que o arquivo foi desenhado pra imprimir… não pra analisar. Aí você entra no modo sobrevivência: ajeita coluna, remove lixo, padroniza, e só então começa a enxergar o que interessa.

Com Power Query, o Kardex deixa de ser um evento traumático e vira uma fonte recorrente dentro de um processo. Você monta uma vez o fluxo que limpa e estrutura o relatório e, no mês seguinte, não tem repetição de esforço: é atualizar e pronto. A mágica real não é o clique — é a consistência. Quando a base sempre sai no mesmo padrão, comparar períodos fica muito mais confiável e justificar variação deixa de ser “sensação” pra virar análise sólida.

Financeiro: posição de contas em linhas quebradas

Posição de contas costuma chegar com urgência, mas também com bagunça: cabeçalho repetido, total no meio, fornecedor escrito de jeitos diferentes, datas e valores em formatos inconsistentes. Aí, em vez de olhar concentração de vencimentos, risco e projeção, você perde tempo no “pré-trabalho”. E isso empurra a decisão pra frente: quando a informação demora, a ação atrasa.

Com Power Query, a posição deixa de ser uma planilha que você “ajeita” e vira uma esteira: entrou relatório novo, atualiza. Os passos se repetem do mesmo jeito, o padrão se mantém e a base sai pronta pra análise — sem depender de memória, sem depender de “como eu fiz mês passado”. O impacto aparece na hora: menos tempo discutindo planilha e mais tempo discutindo o que fazer com os números.

Contabilidade: conciliação — “tá aqui e não tá lá … tá lá e não tá aqui”

Conciliação é onde mora o “quase”: quase fecha, quase bate, quase dá certo. Você junta extrato, razão e outras fontes e cada uma vem com um formato e um vício: espaço escondido, sinal invertido, data quebrada, histórico inconsistente, duplicidade fantasma. E o pior é que a diferença que falta fechar costuma estar num detalhe pequeno, justamente o tipo de coisa que passa batido quando você já gastou energia limpando arquivo.

Com Power Query, a conciliação ganha o que contabilidade ama: padrão e rastreabilidade. Você padroniza entradas, limpa campos, organiza estrutura e deixa o dado preparado pra bater com menos ruído. E quando isso vira processo, não é só fechar mais rápido: você começa a enxergar recorrências, onde as divergências nascem e quais ajustes se repetem todo mês. A conciliação sai do modo “caça ao erro” e entra no modo “controle de processo”.

O resultado final é simples: menos braço, mais cérebro

O Power Query não é “uma forma mais rápida de fazer a mesma coisa”. Ele é a forma de parar de gastar teu cérebro com o que é repetição. E quando o repetitivo sai do caminho, o teu trabalho volta a ser o que deveria:

  • interpretar
  • comparar
  • justificar
  • prever
  • decidir

A ferramenta não faz a análise por você (ainda bem). Ela faz o que não merece tua atenção: limpar, padronizar, estruturar e repetir processo.

Pioneirismo do Joviano no ensino do Power Query

Bem antes da pandemia, eu já estava ensinando Power Query pra quem topava se aventurar em automação — gente que nem imaginava que tinha aquele arsenal inteiro instalado dentro do próprio Excel, quietinho, esperando ser usado. Enquanto muita gente ainda tratava relatório na raça, ele já estava levantando a bandeira da automação ao clique do mouse: menos retrabalho, mais processo, mais tempo pra analisar de verdade.

Por aqui a linguagem sempre foi feita pra analista de negócio. Sem tecniquês, sem pose, sem aquele fanatismo de VBA que parece religião (hehe). É conteúdo pra quem precisa entregar resultado no escritório — não pra quem quer provar que sabe programar.

Te convido a dar uma olhada nas minhas redes sociais (Instagram, Youtube, Spotify) cujos links estão no rodapé dessa página, mas o mais importante, TE CONVIDO A SE JUNTAR A NÓS EM NOSSAS LIVES SEMANAIS.

Toda quinta-feira, a partir das 20h, uma resolução de algum problema comum para o analista, de uma forma simples, leve e bem humorada!
Ah, e com o tradicional sorteio do “aviãozinho”, que aprendi com o mestre Silvio Santos.

Conclusão

No fim do dia, Power Query não é “mais uma ferramenta do Excel”. É uma mudança de postura: sair do modo conserto e entrar no modo processo. Quando a gente para de aceitar que todo mês tem que limpar, ajustar e remendar relatório, a produtividade sobe de um jeito quase injusto. Não porque a gente ficou mais “rápido”, mas porque a gente parou de repetir trabalho burro e começou a construir uma esteira que roda sozinha.

E é aqui que entra a tal EVOlução de verdade: o Excel evoluiu, as demandas evoluíram, e o analista que continua vivendo de Ctrl+C/Ctrl+V fica preso no operacional. Com Power Query, a energia volta pro lugar certo: análise, comparação, explicação, decisão.

Forte Abraço

Joviano Silveira

4 Comentários

  • O power query e uma ferramenta sensacional, muito versátil e, na minha opinião, uma curva de aprendizado relativamente menor se a gente a outras “linguagens”

    Aprendi muito com os cursos do jovi, determinadas atividades que levava horas, no power query consigo fazer rapidamente e muitas delas só com o mouse

    Resposta
  • Não sou programador, bem longe disso…. mas com você aprendi power query e evoluí muito profissionalmente, obrigado Mestre Jovi!

    Resposta
  • Parabéns por essa abordagem tão lúcida e clara sobre o Power Query! Recurso incrível presente no Power BI e no Excel, o que possibilita utilizar o conhecimento em ambas as ferramentas, para criação de relatórios cada vez mais inteligentes que contribuem diretamente no ganho de produtividade.

    Resposta
  • Power Query é vida!

    Minha produtividade no dia a dia foi multiplicada varias vezes depois de aprender a trabalhar com o Power Query.

    E afirmo com todas as letras, Joviano é o cara pra te ensinar! Cola nele.

    Resposta

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